quinta-feira, 12 de junho de 2008

MCM - Satisfação aos Desejos do Indivíduo?

VIVA O BLUES DE CADA DIA

Que a mídia é burra ninguém duvida. Mas para nosso colunista midiático ela também é cega para algumas emoções: a imprensa não sabe que cor a melancolia tem

Há pouco tempo, meu filho teve que fazer um trabalho para a escola. Era o seguinte. Ele tinha que recortar, das páginas de revistas, algumas fotos em que as pessoas manifestassem estados de espírito variados. Coisa normal. Gente alegre, gente melancólica, gente assustada, gente eufórica, gente chorosa.

A casa toda se uniu na tarefa. O primeiro tema era "alegria". Começamos bem. Neguinho feliz e papel impresso foram feitos um para o outro. O mundo nunca esteve tão alegre. E, nesse primeiro quesito, a campeã dos achados foi a Vanusa, babá do meu filho, querida, ela mesma muito alegre. Depois de uma minuciosa pesquisa iconográfica em sua publicação preferida, a Caras, ela logo apareceu com um ensaio visual sofisticado sobre todos os matizes possíveis da felicidade humana.

No segundo quesito, o tempo mudou. Viramos páginas e páginas atrás de uma pessoa melancólica. Nada. Não serviam os sofrimentos violentos, as agonias sangrentas, os pesares lagrimosos. Isso até que tinha bastante. A mídia é bipolar, maníaco-depressiva, extrema. E nós queríamos só alguém tristinho. Não achamos nada. Nada na Veja, nada na Carta Capital, nada na Trip. E, claro, nada também na biblioteca de Caras da Vanusa, já que não é toda semana que morre o príncipe Rainier.

Abaixo os extremos

Não dá para dizer que a melancolia, na vida, seja exatamente um sentimento raro. Nem rasteiro. Ao longo da história, vários pensadores relevantes, de Aristóteles a Eduardo Giannetti, notaram que "os grandes desbravadores de todas as áreas da atividade humana costumam ter uma tendência à melancolia". A sensação da desesperança tende a ser uma companheira constante daqueles que fumam o mundo sem filtro.

Não estou propondo que o biscoitinho salgado da melancolia seja produzido em massa. Ao contrário, quando penso em meu próprio período infanto-juvenil, passado numa escola francesa dos anos 70, lembro que se me pedissem para pesqui-sar alguma coisa, não seria nas páginas da mídia, e sim nas da literatura, nas da arte erudita, onde a palavra "tristeza" é quase sinônimo da palavra "qualidade".
Uma reação alérgica a esse passado impede que eu me jogue de cabeça em qualquer culto à melancolia. Ao contrário, se eu acredito que há um fundamento em que a cultura de um Brasil profundo pode fazer diferença, é justamente na idéia de que a alegria tem uma dimensão bem menos rasa, bem menos vã do que imagina a filosofia ocidental.

Na imprensa, também não acho estranho que a cada mil páginas dedicadas à alegria, ou mesmo à violência, seja tão difícil encontrar uma só dedicada à melancolia. Faz parte do show. Mídia existe para isso mesmo. Tanto para comunicar quanto para gerar sensações. O esquisito é que a mídia ainda seja vendida como um espelho tradutor da realidade. Se fosse, como a arte ou a literatura, a mídia teria que dar muito mais espaço para sentimentos que são menos sensacionais, mas nem por isso menos humanos.

E, aos 44 do segundo tempo, foi a própria Vanusa, segurando uma Veja amanhecida, quem gritou: "Achei! Achei alguém tristinho!". Quem?! "É o poeta Ferreira Gullar", ela disse. De fato. Lá estava ele, posando macambúzio, justamente para uma matéria sobre candidatos brasileiros a grandes prêmios internacionais.

No contexto atual, de busca frenética de excitação, a atitude mansa do poeta se transforma num gesto transgressor. Obrigado, Ferreira Gullar. Por destoar do coro dos contentes. Por exercer o seu ofício de poeta em tempo integral. Por ajudar a manter, ainda que precariamente, a biodiversidade das sensações no espaço midiático.

QUANDO O BANCO DOS RÉUS ESTÁ VAZIO


A publicidade é instrumento ou espelho? Marcos Valério é regra ou exceção? Leia o texto do colunista e ex-publicitário e escolha as suas próprias respostas

Como é sintomática a relação de culpa entre a publicidade e a sociedade! Volta e meia, lá está ela - e os publi-citários - no banco dos réus. Marcos Valérios à parte, não precisa ter corrupção envolvida para se questionar a publicidade como responsável pelos maus hábitos [de consumo ou não] dos cidadãos. Será que é? Ou essa acusação não passa do velho e conveniente vício de tratar o sintoma como se fosse a doença?

Seguindo nossa tradição judaico-cristã, admitindo a hipótese de que existe um culpado que pague por nossos pecados, vamos atrás dele. Você sabe como é: a agência recebe um briefing do cliente e, se ela é boa, segundo os padrões vigentes e decadentes, vai fazer o cliente atingir seus objetivos.

Quem é o cliente? O cliente é um ge-rente de produto, de propaganda, de marketing, um diretor, um presidente ou o próprio empresário. Essas pessoas têm objetivos de carreira, mercadológicos e empresariais, que para serem atingidos dependem de atender necessidades e expectativas dos consumidores.

Quem são os consumidores? Você, eu, o Lula, o Roberto Jefferson, os Marinho, o Washington, os Feffer, a Glorinha, o Luciano, a Angélica e o Joaquim, a Costanza, o César Giobbi, o Fábio Barbosa, o Robinho, os Ronaldos, o Antonio Ermírio, o Roger Agnelli, o Daniel Dantas, as dasluzetes, o Fischer, o Justus, a Hebe, o Faustão, os Suplicy, os padres, o Jabor, o Heródoto, os bispos, as bispas, os mano, o Chico, o Gil, o Zé, a Maria, a minha mãe, a sua, a deles, a sua filha, os meus filhos, os deles, enfim todos que vivemos nessa sociedade.

Pesquisas e estudos são feitos para entender nossas necessidades e expectativas de estilo de vida, de previdência, de investimento. Isto é, nós, os consumidores/investidores, somos os clientes dos clientes. Se dissermos que queremos consumir sem limites, seremos atendidos até o limite dos recursos naturais do planeta. Se dissermos que queremos ser eternamente jovens, seremos iludidos até o limite que a neurose e o deus tempo permitir. Se dissermos que honestidade é valor relativo, seremos tratados como cúmplices até o medo tomar conta de todas as nossas relações. Se dissermos que queremos lucro a qualquer preço ficaremos muito ricos num deserto cercados de miséria por todos os lados.

Quem é que decide?
Enfim, nós decidimos o que queremos para nós. Ou você acredita que existe alguém poderoso o suficiente para tomar essas decisões por nós? Vamos combinar que não são os publicitários.

A verdade é que é insuportável admitir que não existe um responsável que possa ir para o banco dos réus expiar essa culpa solta em busca de alguém poderoso e imoral o suficiente para nos salvar.

Atribuir essa responsabilidade ao publicitário é a maior de todas as ingenuidades ou das conveniências. A publicidade é instrumento da indústria e espelho da sociedade. Agência não tem voz própria. Eu fui empresário de propaganda e sei da fragilidade desse negócio. É muito maior do que a fragilidade da imprensa que precisa e reclama a verba publicitária para garantir sua sobrevivência, sua liberdade, sua independência, sua honestidade, inclusive intelectual.

No lugar de a associação das agências de publicidade sair a público para se defender, no lugar de a imprensa sair a público para defender as agências que garantem suas verbas, devíamos sair criticando a ausência de compromisso pessoal que rompa com os círculos viciosos que perpetuam o cinismo geral e apontam para a propaganda como a sombra da sociedade.

Não estou defendendo os publicitários, que não são melhores nem piores do que os outros [embora muitos deles tenham certeza de que o são]. Mas defendo os indivíduos que no exercício de suas funções de cliente, publicitário ou consumidor conseguem dizer não e fazer valer sua visão crítica e sua imaginação de uma sociedade mais lúcida, saudável e sustentável.

Acredito nisso. E prefiro apostar nessa revolução do que ser advogado de defesa ou testemunha de acusação.
Fica com o abraço do amigo poderoso.

Ricardo.

*RICARDO GUIMARÃES, 56, é presidente da Thymus e foi dono da agência de publicidade

COLUNA QUE SE ENCAIXA NO ENSAIO:MCM satisfação aos desejos do indivíduo?

quarta-feira, 11 de junho de 2008

OS PADRÕES DE BELEZA INTRODUZIDOS PELA MÍDIA NA SOCIEDADE


O corpo no Brasil se tornou mais um produto de valor mercadológico. Para o capitalismo, modelos, atrizes, jornalistas, apresentadores de programa de auditório dentre outros que trabalham nos meios midiáticos, não levam à sociedade apenas informações, entretenimento, lazer e cultura, juntos com essa gama de conhecimento, estas pessoas cumprem o papel de movimentar toda uma indústria cultural.

Dados da Associação Brasileira da indústria de higiene pessoal, perfumaria e cosmético, (ABIHPEC), constatam que o Brasil se encontra em terceiro lugar no ranking de consumo da indústria mundial de cosmético. A Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, também confirma que o país assume a segunda posição na realização de cirurgia plástica, perdendo apenas para os Estados Unidos. As movimentações destes produtos geram aos cofres dos empresários brasileiros, que atuam nesta área, mais de R$19 bilhões anualmente (Arcangeli. 04/09/2007).

A indústria cultural é incentivadora do tipo ideal de beleza que a sociedade busca se assemelhar. A procura de imitar ou chegar mais próximo possível a certos astros da televisão, do cinema, da música ou de outros que atuam no campo relacionado à mídia, as pessoas almejam a todo custo enquadrar – se em padrões como de peso, estético, forma de se vestir ou até mesmo na maneira de pensar que esses profissionais difundem pelos meios midiáticos

A televisão no contexto social brasileiro é um dos meios de comunicação que mais atua efetivamente na construção e desconstrução de comportamento da população.

O culto exagerado ao corpo para atingir determinadas aparências está disseminando sérios problemas patológicos. Daniele Maciel
[1] doutora em psicologia clínica e professora de psicologia da Univasf ressalta que os problemas psicossomáticos gerados pelos padrões de beleza que a mídia introduz na sociedade vão além das doenças influenciadas pelos meios de comunicação de massa, como a bulimia e anorexia nervosa. Os efeitos colaterais produzidos podem gerar depressões, suicídio e diversos outros problemas que na maioria das vezes se desenvolvem pela não adequação destas pessoas às normas difundidas pelos meios midiáticos. Salienta que quanto maior for o nível cultural das pessoas, menos vulneráveis estarão a essa adequação difundidas pelos meios


A apresentadora Maria Lima
[2], da TV da São Francisco, afirma que a empresa na qual trabalha investe em seus funcionários cerca de dez mil reais anualmente, os quais são gastos em vestuário, cabelo, unha e pele. O padrão estético de jornalismo da televisão local segue o mesmo da rede globo. A roupa tem que ser mais sóbria possível, com cores claras e que cubra os ombros. Sem decotes. A maquiagem para o apresentador é mais forte por causa das luzes do estúdio. Questionada como se sente com esses parâmetros estabelecidos pela empresa, responde, convicta, “que não se sente a vontade, estes procedimentos submetem o corpo a uma verdadeira escravidão, mas como amo a profissão busca encarar estes paradigmas de forma mais natural possível”.

Augusto Cury em seu livro a Ditadura da beleza afirma que Vivemos aparentemente na era do respeito pelos direitos humanos, mas, por desconhecermos o teatro da nossa mente não percebemos que jamais esses direitos já foram tão violados nas sociedades democráticas. Estou falando de uma terrível ditadura que oprime e destrói a auto-estima do ser humano (Pag. 6)


É preciso ficar atento porque Todo este processo que se constitui, desde a fabricação dos produtos à difusão feita pelos meios de comunicação, tem como objetivo principal assegurar e reforçar o sistema capitalista. Para isso não mede os problemas que podem causar à sociedade. Neste sistema, mais que a valorização da vida, é criar mecanismos, os quais objetivam viabilizar a proliferação e a permanência do mesmo. A sociedade não deve se atrelar as lógicas de estética ou beleza que são disseminadas pela mídia como se ele fosse perfeita e absoluta.

O conceito de belo se relativiza a cada tempo e se define também na visão de cada pessoa. Portanto, ficar martirizando o corpo sem analisar os riscos e as conseqüências para se alcançar determinados padrões estéticos, é uma atitude paulatinamente irracional. É querer mudar a própria essência da natureza. É um atentado contra os princípios éticos e morais do próprio ser.
.





[1] Entrevista concedida no dia 21/05 2008, na univasf.
[2] Entrevista concedida no dia 20/05/2008, na TV são Francisco.

Com toda convicção!


Segundo o dito popular a história sempre se repete, formando um ciclo. Não duvido, porém acredito que este ciclo é sempre formado por contextos e fatos distintos, na maioria das vezes são resultados das lutas desencadeadas por um homem ou uma mulher. O contexto político que vivemos na América é fruto de diversas lutas que foram travadas no passado, mas que ainda se fazem necessárias no nosso tempo presente.

A vitória de Cristina Kirchner na Argentina talvez foi o surgimento da abertura mais autêntico das mudanças que estão surgindo e que estão a surgir em nossa história política, me refiro não ao desempenho que terá seu mandato, mas a importância e responsabilidade que carrega enquanto gênero por representar uma camada que há poucas décadas veio ter direito na interferência política.
As mudanças estão se dando em diversos países. O Brasil, com Luis Inácio Lula da Silva teve seu primeiro governante durante toda história vindo genuinamente do povão. Na Bolívia, Venezuela e dente outros a situação não é diferente, a escolha não vem mais na ordem do intelectualismo e tradicionalismo, finalmente as pessoas têm o livre arbítrio e sabedoria de escolher quem melhor pode lhes representar, sem estarem atreladas a grupos políticos que no passado foram à representação de uma espécie ditatorial.

Mas sabemos que para isso se torna possível diversas pessoas tiveram que colocar a própria vida em jogo. A luta não foi só pela igualdade de gênero, mas também pela de classe e racial. No período atual estamos prestes a ver o resultado de mais um paradigma ser quebrado. As lutas travadas por Martin Luther King, Rosa Parks e vários outros do movimento negro dos EUA esta preste a quebrar mais um paradigmas histórico. Pela primeira vez depois de séculos de luta, o povo estadunidense, sobre tudo os negros, estão prestes a ver um negro ocupar o cargo mais alto do poder dos Estados Unidos. Pois, a possível vitória Barack Obama será uma das maiores mudanças da história mundial.

Mas enfim, a vitória desses líderes não significa dizer que todos os problemas serão superados, todo o contexto histórico será modificado. Nada disso, até mesmo porque mudanças reais não se fazem ao logo de dois ou três mandatos. O que se demonstra com isto é que a sociedade pode mudar a realidade fazendo uso de diversos mecanismos, e que a questão de raças humanas não existe, o que há na realidade é raça humana a qual os componentes são capazes de possuir as mesmas qualidades. Tudo se define em uma simples palavra: oportunidade.