quarta-feira, 11 de junho de 2008

OS PADRÕES DE BELEZA INTRODUZIDOS PELA MÍDIA NA SOCIEDADE


O corpo no Brasil se tornou mais um produto de valor mercadológico. Para o capitalismo, modelos, atrizes, jornalistas, apresentadores de programa de auditório dentre outros que trabalham nos meios midiáticos, não levam à sociedade apenas informações, entretenimento, lazer e cultura, juntos com essa gama de conhecimento, estas pessoas cumprem o papel de movimentar toda uma indústria cultural.

Dados da Associação Brasileira da indústria de higiene pessoal, perfumaria e cosmético, (ABIHPEC), constatam que o Brasil se encontra em terceiro lugar no ranking de consumo da indústria mundial de cosmético. A Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, também confirma que o país assume a segunda posição na realização de cirurgia plástica, perdendo apenas para os Estados Unidos. As movimentações destes produtos geram aos cofres dos empresários brasileiros, que atuam nesta área, mais de R$19 bilhões anualmente (Arcangeli. 04/09/2007).

A indústria cultural é incentivadora do tipo ideal de beleza que a sociedade busca se assemelhar. A procura de imitar ou chegar mais próximo possível a certos astros da televisão, do cinema, da música ou de outros que atuam no campo relacionado à mídia, as pessoas almejam a todo custo enquadrar – se em padrões como de peso, estético, forma de se vestir ou até mesmo na maneira de pensar que esses profissionais difundem pelos meios midiáticos

A televisão no contexto social brasileiro é um dos meios de comunicação que mais atua efetivamente na construção e desconstrução de comportamento da população.

O culto exagerado ao corpo para atingir determinadas aparências está disseminando sérios problemas patológicos. Daniele Maciel
[1] doutora em psicologia clínica e professora de psicologia da Univasf ressalta que os problemas psicossomáticos gerados pelos padrões de beleza que a mídia introduz na sociedade vão além das doenças influenciadas pelos meios de comunicação de massa, como a bulimia e anorexia nervosa. Os efeitos colaterais produzidos podem gerar depressões, suicídio e diversos outros problemas que na maioria das vezes se desenvolvem pela não adequação destas pessoas às normas difundidas pelos meios midiáticos. Salienta que quanto maior for o nível cultural das pessoas, menos vulneráveis estarão a essa adequação difundidas pelos meios


A apresentadora Maria Lima
[2], da TV da São Francisco, afirma que a empresa na qual trabalha investe em seus funcionários cerca de dez mil reais anualmente, os quais são gastos em vestuário, cabelo, unha e pele. O padrão estético de jornalismo da televisão local segue o mesmo da rede globo. A roupa tem que ser mais sóbria possível, com cores claras e que cubra os ombros. Sem decotes. A maquiagem para o apresentador é mais forte por causa das luzes do estúdio. Questionada como se sente com esses parâmetros estabelecidos pela empresa, responde, convicta, “que não se sente a vontade, estes procedimentos submetem o corpo a uma verdadeira escravidão, mas como amo a profissão busca encarar estes paradigmas de forma mais natural possível”.

Augusto Cury em seu livro a Ditadura da beleza afirma que Vivemos aparentemente na era do respeito pelos direitos humanos, mas, por desconhecermos o teatro da nossa mente não percebemos que jamais esses direitos já foram tão violados nas sociedades democráticas. Estou falando de uma terrível ditadura que oprime e destrói a auto-estima do ser humano (Pag. 6)


É preciso ficar atento porque Todo este processo que se constitui, desde a fabricação dos produtos à difusão feita pelos meios de comunicação, tem como objetivo principal assegurar e reforçar o sistema capitalista. Para isso não mede os problemas que podem causar à sociedade. Neste sistema, mais que a valorização da vida, é criar mecanismos, os quais objetivam viabilizar a proliferação e a permanência do mesmo. A sociedade não deve se atrelar as lógicas de estética ou beleza que são disseminadas pela mídia como se ele fosse perfeita e absoluta.

O conceito de belo se relativiza a cada tempo e se define também na visão de cada pessoa. Portanto, ficar martirizando o corpo sem analisar os riscos e as conseqüências para se alcançar determinados padrões estéticos, é uma atitude paulatinamente irracional. É querer mudar a própria essência da natureza. É um atentado contra os princípios éticos e morais do próprio ser.
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[1] Entrevista concedida no dia 21/05 2008, na univasf.
[2] Entrevista concedida no dia 20/05/2008, na TV são Francisco.

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